A Vitória e a tartaruga Dolores


A Vitória e a tartaruga Dolores

Domingo passado estava na casa de amigos em Fortaleza. Era uma manhã de partida para Sorocaba. O café da manhã ia acontecer com a chegada dos pãezinhos que o Júlio foi buscar na padaria. Enquanto isso, a Rocivânia arrumava a mesa. Passamos um final de semana maravilhoso em diálogo com vários casais do Movimento das Equipes de Nossa Senhora em preparação do quarto Encontro Nacional a ser realizado em 2021 na capital do Ceará. Terá a presença de nove mil participantes. Enquanto a conversa seguia na cozinha, surgia uma convidada muito especial e inesperada. No trajeto à padaria o Júlio viu uma pequena tartaruga ferida na guia da rua. Parou o carro e ao chegar perto dela viu que tinha sido atropelada há horas. Sensível ao sofrimento do animal com seu casco rachado, a transportou até sua casa. Realmente dava pena de ver o bichinho naquele estado. 
A filha Vitória, estudante de veterinária estava de saída para um compromisso. Ao ver a pequena tartaruga ficou sensibilizada. Em minutos, já de luvas e com a caixa de primeiros socorros, mudou os planos da sua manhã. Priorizou dar início ao procedimento de curativos. Ajudada pela mãe e pai assegurou amenizar o sofrimento à tartaruga, chamada por ela de “Dolores”. Acredito, ao vê-la, que o animalzinho sentia fortes dores pelo impacto que deve ter sentido sob alguma roda de veículo, seja moto, bicicleta ou carro. Particularmente, me tocou muito ver o cuidado dedicado pela família. A jovem Vitória demonstrou ali sua convicção à carreira que estava iniciando nos estudos e cuidados com animais. Teve a preocupação de telefonar às amigas da faculdade com maior experiência para proporcionar os procedimentos corretos. E no mesmo dia a levou até um veterinário que acabou dando sequência ao tratamento. A Dolores teve nos dias seguintes o amparo para sua sobrevivência com uma cirurgia na segunda-feira. O que me faz escrever meu artigo dedicado à garota Vitória e à tartaruga Dolores é o respeito à natureza e à vida. 

A família de Julio mora ao lado do Parque do Cocó, (Cocó, palavra indígena que significa roça) com uma área verde imensa em benefício da população que frequenta o local em atividades de lazer. A manifestação de todos no ato de solidariedade ao pequeno animalzinho, é um testemunho digno de registro. O Brasil tem realizado muitas campanhas de conscientização na preservação do meio ambiente e da vida. Sorocaba é uma das cidades que busca essa iniciativa. A população precisa entender a cultura ambientalista deste novo século. Não podemos destruir a mata, abandonar e matar animais, poluir o ar que respiramos. Diariamente são postadas imagens de cães na rede social em situações de abandono por seus donos nas ruas de Sorocaba e do Brasil. É até revoltante para muitas pessoas ver o descaso com que são tratados os cães que até então eram parte da família. Da mesma forma que um objeto qualquer que vai ao lixo pelas mãos das pessoas há também, pelas imagens e vídeos publicados em redes sociais, que jogam animais nas calçadas, objetos pelas janelas de carros, usam escapamentos poluidores de veículos, motoristas atropelam animais e pessoas e não prestam socorro.



 A atitude como presenciei e, até fotografei da pequena Dolores, com curativos, cirurgia e atenção humana carinhosa, serve para nos afirmar que há esperança no tempo presente e futuro da humanidade. O amor e o testemunho começam em casa com os pais. A reação da adolescente Vitoria é também resultado da sua crença cristã e dos seus irmãos e pais nas palavras que li em um painel na parede de sua casa:
“ que a gente tenha fé em Deus, astral bonito, conversa que cura, bons amigos, sonhos que salvam, firmeza nos passos e muito amor no coração”.


Ah! Fizemos boa viagem de retorno com os amigos da cidade de Itu, Vera e José Renato, que estavam conosco na reunião de Fortaleza. E na quarta-feira, (12) liguei para saber como está indo a nossa mascote Dolores. Passou por vários procedimentos e não suportou os ferimentos. Uma pena!


Vanderlei Testa jornalista e publicitário escreve aos sábados no www.jornalipanema.com.br/opiniões e www.facebook.com.br/artigosdovanderleitesta e quinzenalmente no jornal Cruzeiro do Sul

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