A cruz de Cristo nas cruzes do povo brasileiro

 


A cruz de Cristo nas cruzes do povo brasileiro

 

Sei que o Espírito Santo jamais nos guia a reclamar; ele nos guia a adorar. Mas, nesta Semana Santa podemos aprender com as passagens bíblicas a enxergar o Brasil com olhos de generosidade divina. Enxergar nas cruzes do povo brasileiro a cruz de Cristo. Sem querer ser radical nas comparações, já que desde o inicio da humanidade existe desigualdade, podemos refletir na imagem deste domingo com Jesus andando no burrinho até Jerusalém. Símbolo do transporte dos pobres o jumentinho que passou por ramos nas mãos do povo e tecidos colocados no chão, dignificava o filho de Deus que seria dias depois na sexta-feira da paixão, crucificado como malfeitor pela falta de sabedoria do povo e do dirigente maior Pilatos. 

Ele carregou a cruz nas estações do calvário, sofreu as injustiças, foi humilhado e tudo por uma causa maior que é a  nossa salvação. Em síntese essa é a decisão do Pai para com o seu filho amado. Fico pensando o que será que acontece com as cruzes do povo brasileiro, fome, desemprego, ausência de moradia digna, educação e saúde sem recursos para proporcionar um mínimo de dignidade humana. Hoje perdemos mais um amigo pelo Covid-19, o Bernardo Crespo. Trabalhamos mais de 10 anos juntos na Siderúrgica Aparecida. No final de semana, foi o Carlos Camargo Costa, outro amigo de 30 anos que a Covid não perdoou. Carlinhos dedicou longos anos de sua vida às crianças do Gpaci. A cada dia as imagens e noticias da rede social anunciam a partida de tantas pessoas, pais de famílias, filhos e pessoas como todos nós partindo por esta triste pandemia mundial. Até quando, meu Deus!



A insensibilidade de milhares de irresponsáveis que assistimos na televisão nestes dias 27 e 28 de março, sábado e domingo, participando de festinhas clandestinas, praias cheias, jovens abusando da sorte para a desgraça de seus familiares que serão contaminados. Até quando veremos o povo carregando as suas cruzes em 48 semanas do ano, com fome e falta de esperança.  O que será que a humanidade terá que aprender com os erros cometidos nesta pandemia. Qual será a conversão de coração que os dirigentes necessitam ter e entender para assistir cenas de filhos implorando vagas nas UTIS e tomarem decisões de socorrer com as suas equipes políticas. O que ainda o ser humano não aprendeu ao ver covas com corpos sendo enterrados sem levar nada consigo. Porque tanta ganância, corrupção, levar vantagens em compras de equipamentos de saúde que salvam vidas.

Na leitura 2 livro de Crônicas 7,14 Deus falou a Salomão:” Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra”.

 

Vanderlei Testa jornalista e publicitário escreve no www.blogvanderleitesta.com

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