A venda do Hospital Evangélico e as mães da Escola Dominical

 

Hospital Evangélico e as mães da Escola Dominical


Imagino a dor de uma mãe que tem o seu filho desaparecido ou sequestrado. As mães da Sé sabem disso como ninguém. E se esse filho foi vendido pior ainda. Lendo o artigo do Reverendo Matheus Benevenuto Júnior na edição do Jornal Cruzeiro do Sul do dia 24 de junho senti essa emoção dolorida da perda de suas entranhas, em 40 anos como evangélico voluntário. O Hospital Evangélico de longa tradição e inspiração de amor bíblico na misericórdia humana agora de posse para o Hospital CARE. Imagino o sonho de seus idealizadores ao lado da Bíblia na Escola Dominical da 1º Igreja Presbiteriana em 1935 orando para construir o hospital evangélico. Com certeza naqueles dias de decisão não sentiram medo e creram em Jesus que ensinou a passagem do Bom Samaritano para acolherem os enfermos com amor. Cada tijolinho da história do Hospital Evangélico teve como argamassa o cimento das minas do céu e a água das bênçãos de cada quarto construído. Imagino também que nesta longa história do hospital jamais houve pensamentos de lucros financeiros, pois a palavra ensina daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. O Hospital Evangélico é de Deus.

A decisão já tomada da venda do hospital se valeu do lado da moeda de César. Não sou Evangélico, mas sinto-me como cristão como se fosse dessa congregação religiosa que deixou escapar pelos vãos dos dedos uma graça. Há poucos dias ouvi o arcebispo metropolitano Dom Júlio Endi Akamine dizer que o Hospital Evangélico é de todas as crenças e que muitos padres foram internados ali com um atendimento cristão e humanitário. Elogiou Sorocaba por ter a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital Evangélico sob a gestão cristã.

Solidarizo com a opinião do Reverendo e amigo Matheus Benevenuto por sua profecia em escrever as interrogações que gostaria de obter respostas daqueles que passaram adiante um filho amado e sequestrado ou desaparecido sem misericórdia do ventre das mães de Sorocaba.

 

Vanderlei Testa

Jornalista

 

 

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