Nove décadas de vida de Laelso Rodrigues

 

Nove décadas de vida de Laelso Rodrigues

 



A frase citada pelo padre Flavio Miguel Jorge Junior na celebração da missa em ação de graças pela comemoração dos 90 anos de vida de Laelso Rodrigues define a alma generosa do homenageado: “Um sorriso encantador e um olhar de menino”. O ato aconteceu no último dia do mês de março no Santuário de São Judas Tadeu, em Sorocaba. Laelso completou as suas nove décadas de existência no dia 30 de março de 2022. Nasceu em 1932. Buscando na história do Brasil essa data encontramos a Revolução Constitucionalista de 32 como um dos mais importantes e dramáticos fatos da história republicana brasileira. Nesse clima de tensão nacional, nasceu o bebê Laelso Rodrigues de parto natural.

A história de sua vida é marcada por uma dedicação à pátria que o acolheu. A sua missão patriótica continua sendo outra revolução de atos filantrópicos, sociais e de construção de unidade entre aqueles que estão nas páginas do desenvolvimento do Brasil. Há cerca de 50 anos conheci o Laelso. Ele tinha 40 anos de idade e usava toda a sua criatividade humana com o fervor do seu coração generoso. Acompanhado pela saudosa esposa Leda, organizava a campanha do Natal solidário na cidade. Como empresário de sucesso desde aquele tempo, o visionário Laelso aglutinava as lideranças empresariais em grupos de arrecadação com o objetivo de proporcionar às pessoas necessitadas meios de sobrevivência. Fiz parte de um dos grupos como colaborador. As reuniões realizadas na sua casa com a presença da família Rodrigues dava um clima alegre e cristão. Em torno das mesas havia o entusiasmo na busca dos resultados almejados em arrecadação e a das metas estabelecidas. Foram momentos inesquecíveis e estão gravados em nossa memória o altruísmo de Laelso e Leda.

No transcorrer dos anos viriam outras oportunidades de acompanhar a trajetória dessas nove décadas. Quem consultar os arquivos do jornal Cruzeiro do Sul poderá ler a intensa presença das atividades de Laelso Rodrigues no crescimento da cidade e do País. Lembro- me quando Laelso Rodrigues era presidente da Fundação Ubaldino do Amaral e participou com a sua diretoria na aquisição do terreno e das instalações de uma indústria têxtil que havia na área onde hoje está o complexo gráfico e cultural no Alto da Boa Vista. Nascia ali um novo e arrojado projeto de expansão do jornal iniciado há 118 anos e assumido em 1963 pela FUA.

A atual Avenida Carlos Reinaldo Mendes que passa à frente da sede do jornal era de apenas uma via de acesso à zona industrial. Grandes áreas sem uso circundavam a avenida que via nascerem imponente as máquinas rotativas impressoras em preto e branco do jornal mais antigo da cidade. Filmei em Super 8 essas máquinas. Laelso Rodrigues acreditou no futuro e sob a sua liderança plantou a semente que deu muitos frutos hoje colhidos também por jovens alunos do Colégio Politécnico de Sorocaba da mantenedora Fundação Ubaldino do Amaral.

Na edição do dia 12 de junho de 2021, o jornal Cruzeiro do Sul publicou depoimento de Laelso Rodrigues sobre a sua trajetória como conselheiro-fundador e um dos instituidores da FUA. Ele que já tem 61 anos de intensa participação na história do jornal, tendo começado com 29 anos de idade a sua ativa presença na Loja Perseverança III, destacou detalhes que relembro. Segundo Laelso o jornal teve vários donos até ser comprado em 1963. A intenção dos membros da Loja Perseverança era buscar através da mídia impressa e histórico jornal, maior arrecadação para investimentos nas inúmeras ações filantrópicas mantidas pela FUA. Laelso conta que foi Paulo Pence Pereira que sugeriu a compra do jornal com esse objetivo. Após a aprovação dos 21 membros da Loja PIII, ele, Laelso Rodrigues foi escolhido para ser o coordenador do projeto. Nascia ali em 1964 a Fundação Ubaldino do Amaral.

Em três gestões o Laelso foi presidente da FUA e ficou como um dos fatos mais relevantes da sua presidência a época em que o jornal chegou à tiragem de 50 mil exemplares diários. Um marco único no Estado de São Paulo e do Brasil para um jornal do interior.

O “homem de sorriso encantador e olhar de menino” dizia padre Flavio ao entregar a placa comemorativa dos seus 90 anos. A homenagem do Santuário de São Judas Tadeu e da Santa Casa de Sorocaba através do seu presidente destacou o exemplo de cidadania de Laelso Rodrigues. Acesso aqui as minhas lembranças de convívio com o cidadão sorocabano Laelso no Centro das Indústrias do Estado de São Paulo-Ciesp. Ele era diretor na empresa Moto-Peças. Eu trabalhava na Siderúrgica NS Aparecida. Laelso assumiu inovações à sua empresa que a levaram a produzir tanques ao Exército Brasileiro. Sorocaba virou notícia nacional e internacional. A chamada Zona Industrial da cidade se desenvolveu, gerando empregos e crescimento da população em patamares que a levou aos melhores índices do Estado.

Sob o “olhar de menino”, citado pelo sacerdote, quem está e estará eternamente testemunhando esse brilho de amor são os seus filhos e familiares, amigos e irmão Laor Rodrigues, sempre presente ao lado de Laelso na FUA. O filho Marcos e a filha Márcia são como o pai, líderes na comunidade, ajudando a cidade em instituições, como as que buscam recursos às pessoas com a doença do câncer.

Em um depoimento no final da celebração da missa, Laelso Rodrigues foi questionado sobre qual o segredo para chegar aos 90 anos com tanta vitalidade e energia, trabalhando incansavelmente até hoje para o bem comum da cidade. Laelso Rodrigues respondeu que acredita naquilo que é o mais importante para ele: “nunca tive ou fiz inimigos”.

A amizade realmente constrói vida saudável e, como manifestado por Laelso ”fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que compareceram à celebração da missa. Eu fiquei muito emocionado porque não esperava que fosse uma recepção tão grande”. E Laelso ressaltou: “o que me deixa mais feliz é que neste dia 31 de março não havia pessoas internadas com Covid na Santa Casa de Sorocaba. Isso me deixa emocionado e foi o maior e melhor presente que recebi”. E os seus olhos brilharam como menino e seu sorriso agradeceu a Deus pelo dom da vida.

 

Foto: Téo Negrão

 

Vanderlei Testa (artigovanderleitesta@gmail.com) Jornalista e Publcitário escreve às terças-feiras no jornal Cruzeiro do Sul

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Gilson Delgado atuou com foco no ser humano

Renata e Seide, duas perdas irreparáveis

Gratidão de dom Julio ao padre Jesus Flores